Catarata

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Catarata

O cristalino é a lente natural existente no globo ocular responsável pela focalização da visão para longe e para perto. Quando o cristalino apresenta opacificação, pode-se suspeitar da catarata. Com a idade, geralmente acima dos 40 anos, pode ocorrer um processo de opacificação do cristalino que leva a diminuição progressiva da visão. A rapidez dessa evolução varia de pessoa para pessoa, e até mesmo de um olho para o outro.

Alguns fatores contribuem para o aparecimento da catarata, entre eles podemos destacar a idade – que é a causa mais frequente da doença, diabetes, uso indiscriminado e sem orientação médica de colírios com corticosteróides, traumatismos oculares, radiação, infecções nos olhos e uveítes.

A catarata pode ser definida como senil ou pré-senil, nestes casos o aparecimento da catarata é comum em ambos os olhos, porém, normalmente em estágios diferentes de evolução. O tratamento é eminentemente cirúrgico, e a época de sua realização dependerá da acuidade visual, bem como da avaliação do oftalmologista.

Já a catarata congênita, é aquela que aparece ao nascimento e é causada devido a problemas durante a gestação, como infecções intra-uterinas (rubéola, sarampo, sífilis) ou genéticas (transmitida de pais para filhos). Muitas vezes a catarata congênita não é descoberta logo no nascimento, a não ser que seja realizado um exame ocular precoce. A cirurgia nestes casos deve ser realizada o quanto antes, a fim de permitir a recuperação da função visual.

Atualmente a cirurgia é realizada em qualquer tipo de catarata, independente do grau de comprometimento da visão. É um procedimento que dura por volta de 30 minutos, mas que apesar de rápido é também delicado. A cirurgia é o único tratamento para catarata. Não há medicamento, vitaminas, colírios ou exercícios que façam a catarata desaparecer.

As técnicas mais utilizadas são:

  • Extra capsular – Consiste em uma incisão no globo ocular de aproximadamente 10mm, retirando a catarata por completo.
  • FacoemulsificaçãoUma cirurgia com incisões menores de 3,5mm, que consiste na introdução de uma espécie de cânula no globo ocular, ligada a um equipamento ultra-sônico, que aspira e emulsifica (dilui) a catarata, permitindo uma recuperação mais rápida.

A escolha de uma ou outra técnica dependerá de cada caso. Ambas são realizadas sob anestesia local, com implante posterior de uma lente intraocular. Hoje, com as evoluções do tratamento, não é mais necessário aguardar para realizar a cirurgia da catarata. A decisão da cirurgia deverá ser tomada em conjunto com o seu oftalmologista, quando a visão estiver borrada o suficiente para dificultar as atividades da vida diária, isto é, ver televisão, trabalhar, dirigir com segurança, andar pela rua e etc.
Após o diagnóstico e a decisão pela cirurgia, será realizada a Biometria Ultra-sônica, onde têm-se os dados para o cálculo adequado do grau da lente intraocular a ser implantada, após a retirada do cristalino, para evitar o uso de óculos após a cirurgia.

Lentes intra-oculares usadas na cirurgia da catarata.

As lentes intraoculares (LIO) são cristalinos artificiais implantados no olho durante a cirurgia de catarata, para substituir o cristalino opacificado.

Hoje em dia, os materiais mais usados incluem o polimetilmetacrilato (PMMA), silicone e acrílico. Como o nome já diz, elas são colocadas internamente no olho para substituir o cristalino opacificado removido na cirurgia de catarata. São diferentes das lentes de contato, que são colocadas sobre a superfície da córnea para correção de miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia.

A qualidade de visão com a lente intraocular é muito superior àquela com óculos ou lentes de contato. Além de corrigir as deficiências causadas pela catarata, alguns tipos de lente também melhoram a qualidade da visão funcional, ou seja, a capacidade de enxergar em ambientes com pouca luminosidade. A lente intraocular pode ser peça única e rígida, peça única e dobrável, ou ainda formada por três peças. As dobráveis são consideradas as melhores, porque podem ser introduzidas através de uma mínima incisão.

Existem lentes monofocais e multifocais, estas são as mais indicadas por permitirem a correção total da visão – tanto para longe, quanto para perto – e são capazes de promover a independência definitiva dos óculos para a maioria dos pacientes. As lentes não dobráveis são implantadas após a remoção não automatizada do cristalino opaco. Podem requerer suturas para fechamento da incisão, cujo tamanho pode variar de 5 a 7 mm. São pouco utilizadas, pois necessitam de um tempo maior para a recuperação do paciente.

Mais utilizadas, as lentes dobráveis são implantadas após remoção automatizada do cristalino opaco, normalmente não necessitam de suturas, e o tamanho da incisão é de 3,2 a 3,5 mm. Uma incisão menor (facoemulsificação) proporciona: cicatrização mais rápida (recuperação visual mais acelerada), menos trauma ao olho, melhor visão, retorno mais rápido às atividades normais e maior controle do astigmatismo induzido pela cirurgia. Um grande avanço da tecnologia são as lentes de coloração amarela com propriedades filtrantes, que protegem contra os raios UV invisíveis e os raios azuis visíveis. O pigmento amarelo lembra a proteção natural fornecida pelo cristalino humano amadurecido e não altera as cores naturais dos objetos, nem a qualidade da visão e ainda ajuda a prevenir outros tipos de doenças oculares, como a degeneração macular relacionada à idade (DMRI).

Uma lente intraocular monofocal padrão utiliza o princípio da refração, ou seja, ela direciona os raios de luz até um ponto focal. Este processo proporciona visão nítida apenas para uma única distância, sendo necessário o uso de lentes corretivas, como óculos, para se ter uma boa visão de perto, intermediária e de longe, simultaneamente. As lentes intraoculares multifocais proporcionam uma visão de longe e de perto com menor dependência aos óculos após a cirurgia de catarata. Lentes com tecnologia difrativa e refrativa simultâneas também reduzem fenômenos como glare (manchas brancas na imagem) e halo (anéis luminosos), associados à visão noturna. Há lentes que reduzem de forma significativa a dificuldade de enxergar em ambientes com pouca luminosidade e possibilitam que o paciente volte a realizar tarefas como dirigir ou andar nas ruas à noite.